Entrevista com Walkíria Klimeika

Confira a História de vida de Walkíria Klimeika


Walkiria Klimeika Minha família é composta de varias artesãs! Eu era a única que nunca tinha pegado numa agulha. Ia para a casa da minha irmã e da minha tia e ficava nervosa ao ver tantas coisas espalhadas: eram panos, botões, tesouras, agulhas, linhas, enfim todas essas coisinhas de artesanato. Nunca tinha imaginado que um dia acabaria seguindo o mesmo caminho.
Iniciei no artesanato, quase que acidentalmente. Minha irmã fazia uns anjinhos natalinos e achei-os bem interessantes. Na época, meu marido estava desempregado e resolvi que começaria a fazer alguns anjos, para presentear. Foi quando tive contato com o feltro pela primeira vez - isso faz cinco anos.
Inicialmente, minha família duvidou do meu interesse, pois nunca tinha dado atenção a nenhum tipo de costura, além de acharem que não iria dar retorno financeiro. Mas, ainda assim, me apoiaram desde o início. Entendia a preocupação deles, afinal já tinha uma profissão que não tinha nada a ver com o artesanato.
Antes de me tornar uma artesã profissional, eu era policial militar. Entrei na policia em 1987, aos 18 anos. Sabia que não era minha vocação, mas passei a amar o que fazia. E, realmente, foram 10 anos muito felizes. Contudo, aflorou a vontade de ser mãe. Porém, aquele ritmo alucinante da polícia me impedia de realizar esse desejo e, ao mesmo tempo, achava que seria uma crueldade pôr um filho num mundo tão cheio de violência.
Tomei uma decisão! Pedi baixa da polícia e, um ano depois, veio ao mundo minha primeira filha. Durante um tempo fiquei só cuidando dela e da casa. Depois, literalmente cansei de brincar de casinha e resolvi que iria à luta. Mas, agora tinha um problema: deixar minha filha nas mãos de avó, babá ou escolhinha?
Nessa mesma época, já tinha feito os anjinhos para presentear amigos e familiares, então resolvi oferecê-los para o comércio local. Para a minha surpresa, todos adoraram. No começo vendia nas lojinhas do bairro. Deixava claro que a minha produção era pequena e que precisava receber adiantado para fazer mais peças. Deu certo! Vendia sempre acima de 20 peças e, apesar do lucro ser bem menor, era dinheiro no ato. Daí em diante, não parei mais.
De enfeites natalinos ampliei para outros tipos de artigos em feltro e foi uma explosão de pedidos. Minha filha também participou deste início, pois ela me via confeccionando os trabalhos e me pedia: "Mãe, faz uma bruxinha para eu levar para professora na festa de halloween", "Mãe, faz uma bolsinha para eu dar de presente". Dessa forma, acabei atingindo o mercado de artigos esotéricos e comecei a vender também para lojas de roupas infantis.
O começo foi difícil: comprava o material, fazia, vendia e comprava novamente. Quando começou a dar lucro, investi tudo em mercadorias. Aos poucos comecei a ganhar razoavelmente pelo meu trabalho. Mas a maior dificuldade era a falta de mão-de-obra para me ajudar, além da falta de variedade nas cores dos feltros.


Mesmo com esses problemas as idéias iam surgindo cada vez mais.
Percebi que havia muitas perspectivas e, como estava muito feliz e realizada, decidi que deveria divulgar esse trabalho. Foi aí que resolvi começar a ensinar arte em feltro. Enviei e-mails e cartas para diversas emissoras de TV, rádios e revistas, porém obtive pouco retorno. Mas não desisti!
Continuei na luta para divulgar a minha arte. Enviei um projeto de uma revista especializada em feltro para várias editoras e recebi diversos "nãos". Foi então que conheci a Editora Minuano, que acreditou em mim e no meu trabalho. E assim fui participando de vários programas femininos e fazendo revistas.
Acabei de fazer a terceira edição da revista "Trabalhos em Feltro" e hoje recebo e-mails, cartas e telefonemas do Brasil todo, além de Portugal, Alemanha e até do México.
Há cinco meses consegui abrir um ateliê, que é o meu "cafofinho" (como o chamo carinhosamente), mas é meu local de trabalho. É onde me realizo e crio todos os dias.
Hoje em dia, tenho grandes encomendas. O artesanato em feltro é minha única fonte de renda. Desenvolvo técnicas e aplicações do feltro, dou cursos em meu ateliê, nas lojas especializadas, para grupos fechados, workshops, nas empresas e como arte-terapia - e meus cursos são muito procurados!
O artesanato cresce cada vez mais e está muito valorizado, o problema é que muitas artesãs, por falta de uma base maior, vendem seus trabalhos a preços muito baixos e as pessoas não dão o valor necessário. Na hora de vender o nosso trabalho, devemos ter argumentos suficientes para explicar o trabalho que deu para fazer aquela peça. A pessoa sendo perseverante consegue viver do artesanato, mesmo tendo altos e baixos, vale à pena investir, se essa for realmente a sua vocação.
Não consigo me ver sem trabalhar com a minha arte. Parece que se tornou uma parte obrigatória no meu dia-a-dia, como comer e respirar. Por isso, a grande dica é: não desanimar! Não se deixe abater pelos obstáculos que certamente surgirão. Seja perseverante. Prime pelo acabamento. Coloque Muito AMOR em tudo que fizer.


Fonte: Programa Arte Brasil

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